onsdag 10 augusti 2011

A vingança das feias


Doda Elektroda. QI 156, 4 pontos abaixo do de Albert Einstein.

Em 1953, o sucesso de Marilyn Monroe em “Os Homens Preferem as Loiras” incomodou tanto que a vingança das morenas veio no mito da loira burra.
Mas o mito trouxe consigo algo maior: A concepção de que beleza e inteligência são incompatíveis.
Não importa se é loira, morena, ruiva ou azul. Se a mulher for indiscutivelmente bonita, a primeira pedra jogada contra ela, mesmo sem abrir a boca, será a da falta de inteligência.
A bela, que além de mulher, ainda caiu no erro de ser bonita, tem que se superar 200 vezes mais que um homem, ou que uma mulher desprovida de beleza (só pra não dizer feia que não fica legal, né?). Porque na primeira escorregada, carregará nas costas o título de burra até o fim dos seus dias. Ou de sua beleza.
Nem todas nascem Brigitte Bardot, e para quem passou reto pela fila da beleza, é difícil aceitar que enquanto gasta dinheiro e tempo para consertar o inconsertável, há quem o único trabalho que teve para ser linda, foi o de nascer.
Então é quase como uma afronta pessoal ter essa verdade esfregada em sua cara diariamente pelas bonitas. É preciso puní-las por isso.
E se a mulher além de linda, souber que é linda, a raiva aumenta. Pior do que uma mulher bonita, só uma que sabe que é bonita (E não faz o menor esforço para esconder).
Aí então ela passa do nível “burra” para o “burra, vagabunda e sem conteúdo”. É um up que só é conquistado quando a bonita resolve se aproveitar de sua beleza. Se encaixam nessa categoria, mulheres que fazem algo com a dádiva (ou maldição) que ganharam. Seja para trabalho ou passatempo (Modelos, capas da Playboy, etc). Se usar a beleza a seu favor, não escapará das garras afiadas das feias.
Não estou querendo dizer que a Juju Panicat secretamente é PhD em física quântica ou que a Carla Perez se faz de completa imbecil, mas seu livro de cabeceira é “O Universo numa Casca de Noz”. Mas uma coisa, temos que concordar: Independente de sua inteligência, ou da possível falta dela, elas souberam usar a beleza que possuíam, e a prova disso é que estão ganhando por mês mais dinheiro do que eu e você ganhamos juntos por ano. Como se pode chamar uma pessoa dessas de burra?
Beleza e inteligência não são opostos. A presença de uma, não é o decreto de ausência da outra. Assim como usufruir da própria beleza, não anula a possibilidade da pessoa usar a cabeça para algo além de pentear o cabelo.
Burrice é julgar a capacidade mental de alguém pela sua aparência.

tisdag 9 augusti 2011

Você conhece a distimia?

No Jornal Placar de hoje, José Vicente Bernardo escreveu um trechinho bem interessante, que reproduzo aqui:


“Não faz muito tempo, fiz uma matéria sobre mau humor para a TV Bandeirantes, onde eu era repórter. A ideia surgiu porque todo mundo conhece pessoas insuportáveis, inimigas da alegria, da simpatia e da boa educação. Não sei se isso serve como atenuante, mas descobri que esse comportamento negativo pode ser uma doença, um transtorno mental. Chama-se distimia. É um tipo mais brando de depressão, mas torna a pessoa rabugenta, irritada, insatisfeita e infeliz. A superação de um eventual problema não melhora em nada o humor do distímico. O doente só enxerga o lado ruim de tudo e de todos, não sente prazer nem nos momentos de glória. Um chato de galocha, enfim. O tratamento é à base de medicamento e terapia."  Por que será que eu lembrei disso agora?    


fredag 5 augusti 2011

Eu digo: "Go, go, go!"

TODO MUNDO já falou a sua, agora chegou a vez desta Darlene Glória do Itaim dar seu pitaco sobre a morte da Amy.

Bem, um favorzão sabemos que ela nos prestou: expôs a ignorância de críticos tapuias sobre a dependência de drogas. Todos querem ser Cameron Crowe, mas ninguém conhece o básico sobre o problema que ora mata (Syd Barrett, Keith Moon, John Bonham), ora conserva misteriosamente (Richards, Wood, Osbourne, Brian Wilson) os ídolos da juventude. Também vimos no episódio da perda de Amy que psicólogos e psiquiatras talvez não sejam os profissionais mais indicados para estar no front de batalha contra a doença.

É disto que estamos falando. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), alcoolismo e dependência química são do-en-ça, não fraqueza de caráter ou consequência de um trauma de infância.

Da mesma forma que você não julgaria um diabético por comer um doce, não há juízo moral a ser feito sobre a tragédia. Muito admira ainda estarmos nesse estágio da conversa, como se a parada que Amy enfrentou tivesse sido um clássico do futebol, em que metade da torcida se coloca a favor e a outra contra.

Não vamos nem comentar a canalhice do "Pânico". Tomara que nunca mais os deixem voltar ao Reino Unido e que recebam um carimbo no passaporte dizendo: "Visto recusado por conduta desumana".

Amy Winehouse não morreu jovem -e de causa 100% contornável- por ter sofrido maus-tratos na infância, carência afetiva, dor de corno ou por "não ter suportado o peso da fama", como li em algum lugar. Geralmente, o peso da fama é dulcíssimo, dor de corno passa logo, maus-tratos todos sofremos, a infância, com raras exceções, é um horror e Amy, acabei constatando no YouTube depois de sua morte, era uma florzinha, brincalhona, imatura, inocente, de bem com a vida, não parecia ter grandes problemas existenciais.



Morreu exclusivamente por conta de uma doença incurável, progressiva e mortal que acomete entre 5% a 12% (dependendo do estudo) dos bebedores adultos.
Tomava todas porque achava graça, não para curar dores ou preencher vazios. Bebia e se drogava porque, no início do processo, o barato é "bão" e casa beníssimo com gente gregária.

O problema é que você vai mudando a maneira de beber e de ingerir drogas, chega uma hora que quanto mais, melhor, de preferência até apagar no sofá, na cama ou no banheiro da rodoviária.

Existem gradações na dependência, mas dava para perceber que a de Amy era barra pesada. Estava na cara que ela tinha começado cedo. Leva mais de cinco anos para o processo se instalar no metabolismo, menos para as mulheres.

E, hoje sabemos que, quanto mais cedo a pessoa começa a beber ou a tomar drogas, mais profunda e irreversível será sua degeneração.
Uma vez dependente, sempre dependente. Mas é importante saber que é possível mudar hábitos, pessoas e lugares e voltar a ter uma vida tão produtiva quanto encantadora.

Certa vez, Rita Lee contou que para ela constitui um problema ir a festas. Para agradá-la, porque ela é a Rita Lee, o pessoal vem e coloca "presentinhos" em seu bolso sem que ela peça ou mesmo se dê conta.

Me pergunto que tipo de bafafá os frequentadores dos pubs de Camden não deviam fazer em torno da presença fácil de quem escreveu o hit "Rehab".

O paradoxo de Amy

Stéphanie, minha enteada, tem 11 anos: ainda é menina, mas é já moça. Assim que foi informada da morte de Amy Winehouse, ela veio até minha escrivaninha e, simulando o choro inconsolável de um nenê, perguntou: "Você está sabendo que morreu minha cantora preferida?".

Justamente por ela simular o choro e se esforçar para ser engraçada, pensei que devia estar sofrendo muito. A coisa se confirmou no meio da noite, quando Stéphanie acordou, e, para que reencontrasse o sono, foi preciso que alguém conversasse com ela sobre a vida e a morte de Amy.

Teria gostado de poder oferecer a Stéphanie uma boa explicação pela dureza da vida e da morte de sua cantora preferida -por exemplo, dizer que Amy teve uma infância muito triste, que nada em sua vida adulta pôde compensar; ou, então, que ela teve sorte na vida profissional, mas não no amor, e se perdeu nas drogas e no álcool por desesperos sentimentais. Mas o que sei da infância e dos amores de Amy é só fofoca.

Sem mentir nem inventar, melhor deixar Stéphanie lidar com este enigma: alguém pode ter um extraordinário talento, gostar de exercê-lo, alcançar sucesso e reconhecimento, amar e ser amado por um ou mais parceiros e, mesmo assim, esbarrar num vazio que nada consegue preencher.

Stéphanie também tinha lido sobre a maldição dos 27 anos, que, antes de Amy, teria pego Janis Joplin, Jimi Hendrix, Jim Morrison, Kurt Cobain etc. Como é normal na sua idade, ela parecia sensível à "glória" de morrer jovem (ou talvez de não viver até se tornar tão chato quanto os adultos).

Foi fácil desvalorizar a morte precoce mostrando que ela é, justamente, um ideal muito antigo: o rock apenas retomou o lugar comum romântico do poeta que vive tão intensamente que, como Ícaro, queima suas asas e cai antes da hora, em pleno voo.

Em suma, eu não tenho nada contra viver intensamente; ao contrário, artista ou não, acho que a gente deve viver da maneira mais intensa que der.



Mas resta o seguinte: a ideia de que viver intensamente consistiria, por exemplo, em encher a cara de absinto ou ópio é velha de 200 anos.
Agora, há uma coisa que pensei e que não disse a Stéphanie: no fundo, para mim, a história de Amy tem um valor pedagógico, não só (obviamente) como exemplo dissuasivo ("Olhe o que pode lhe acontecer se você beber ou se drogar"), mas também como exemplo "positivo".

Como assim, positivo???
Concordo, a morte de Amy é um horror e uma estupidez, mas também lembra que viver é uma coisa séria, com apostas e riscos sérios, a começar pelo risco de perder a própria vida antes da hora. Você dirá: "Alguém duvida disso?". Pois é, constato que há um monte de gente tentando convencer nossas crianças de que a vida é feita de gritinhos, compras e namoricos que só servem para trocar trivialidades online com amigos e amigas.

Até a morte de Amy, eu pensava que o cantor preferido de Stéphanie fosse Justin Bieber. Ora, é possível que Bieber seja uma espécie de Dorian Gray (uma cara de porcelana que esconde dramas e anseios humanos), mas o fato é que ele promove uma imagem de bom moço num mundo intoleravelmente cor-de-rosa.

"E daí?", dirão alguns pais, "não seria esse o adolescente ideal com quem deveríamos gostar que nossas filhas saíssem, em sua primeira ida ao cinema sozinhas com um garoto?". E acrescentarão: "Você quer o quê, que sua enteada seja parecida com Justin Bieber ou com Amy Winehouse?".

Claro, é um golpe baixo: ninguém quer que sua filha acabe como Amy. Mas devolvo a pergunta: será que Justin Bieber é mesmo melhor? Stéphanie será mais protegida se ela permanecer numa pré-adolescência à la fã de Justin Bieber. Mas protegida de quê, se não da própria vida? Entre imaginá-la errando para sempre num corredor de shopping e imaginá-la numa balada que pode acabar na sarjeta à la Amy, a escolha não é fácil. E, na comparação, Amy passa a simbolizar minha esperança (e meu receio, indissociavelmente) de que Stéphanie cresça e se torne mulher, com desejos próprios, fortes.



É o paradoxo de Amy: o que você prefere, uma filha que se perca tragicamente nos excessos do desejo ou uma filha que chegue à vida adulta sem ter conhecido outros desejos do que os que surgem nas conversas sobre marcas de mochilas e sapatos?

ccalligari@uol.com.br
@ccalligaris

O lado B de Amy Winehouse

Drogas, agressão à pele em forma de enfeite, perda da autoimagem. Os fãs se identificavam com seu comportamento, mas não notaram a gravidade de sua doença psiquiátrica
Antonio Carlos Prado



Não houve glamour na vida e muito menos na morte de Amy Wine­house. Houve doença, uma intrincada enfermidade psiquiátrica denominada Transtorno da Personalidade Borderline – suas portadoras (predomina em mulheres na proporção de gênero de três para um entre a população mundial adulta) são invadidas constantemente por avassaladores sentimentos imaginários de abandono e sofrem terrível desmoronamento do ego, desintegração da identidade e da autoimagem. São impulsivas, mantêm suas relações interpessoais como um elástico que se tensiona ao máximo, as suas emoções e humor são fios desencapados em curto-circuito. Sentem-se esburacadas e autolesionam a pele para aplacar a dor da alma, sempre encharcada pela sensação, quase nunca real, de perda de pessoas que lhes são queridas. Assim, nesse inferno psíquico, viveu Amy Winehouse, falecida em Londres no sábado 23 e cremada na terça-feira segundo os preceitos religiosos judaicos. O funeral ocorreu sem que se soubesse com precisão a causa da morte, e isso só virá a público em algumas semanas, assim que a médica legista Suzanne Greenaway concluir os exames toxicológicos das vísceras retiradas do cadáver da cantora. Seja qual for a causa, no entanto, um fato está dado: mais do que simplesmente morrer, Amy descansou um corpo maltratado, um cérebro embotado e um músculo cardíaco esmagado pelo uso ininterrupto, abusivo e nocivo de vodca e coquetéis de outras drogas que chegaram a cruzar cocaína, heroína, anfetaminas, ecstasy e até quetamina (anestésico de cavalo). Em outras palavras, ainda que a causa mortis não revele overdose, sua precoce partida aos 27 anos foi acelerada pelo Transtorno de Abuso de Substâncias como um transatlântico que se dirige loucamente para espatifá-lo contra um iceberg.



No campo psicobiológico, aquilo que se chamou de “ferramenta” pode ser traduzido tecnicamente pelo funcionamento descompassado no cérebro do neurotransmissor serotonina. Tentativas recorrentes de suicídio são traços do transtorno e estudos recentes constataram concentrações mínimas do ácido 5-hidroxiindolacético (5-HIAA, metabólito da serotonina) em pessoas deprimidas que haviam tentado suicídio. No campo ambiental, pesa na infância a negligência ou a desatenção dos pais, abusos físicos, emocionais ou sexuais da criança. Pois bem, tentativas de suicídio – praticamente crônicas – não faltaram na vida da cantora ao utilizar drogas e cruzar vodca (sua dependência química prevalente) com medicamentos (cerca de 6% das borderlines que tentam suicídio conseguem consumá-lo, aproximadamente 60% de mulheres em ambientes institucionais psiquiátricos ou prisionais são borderlines). Quanto ao ambiente, sabe-se que seu pai, Mitch, disputava desde cedo com ela a atenção da mãe, Janis.

Na idade adulta, o que se viu foi novamente o pai taxista tentando pegar carona na fama da filha a ponto de lançar-se como cantor, atitude que arrastou Amy para uma profunda depressão – tal comportamento de Mitch voltou a ser criticado nos últimos dias pela imprensa inglesa e americana.



Nos buracos do cenário borderline, cenário com simbólicos pregos emocionais por todos os cantos, a portadora do transtorno vai pondo tranqueira atrás de tranqueira na busca desesperada de preencher o seu vazio e aliviar o “torno psíquico” que não cessa de apertar. É comum encontrar-se mulheres presas que são borderlines e deveriam estar em tratamento e não encarceradas – acabam presidiárias porque, na ânsia de se “colarem” ao outro para ter uma identidade psíquica, muitas vezes se “colam” em tranqueiras traficantes. Elas anônimas, Amy Winehouse famosa, a história é a mesma. A cantora, no auge de uma de suas crises, casou-se em 2007 com o produtor e traficante (olha aí!) Blake Fielder-Civil. O relacionamento durou dois anos e a maior parte dele Blake passou na cadeia – e lá continua por roubo e posse de arma que não era verdadeira, era de brinquedo (ele não foi autorizado a sair da prisão para ir ao funeral).

Agora, funeral feito, o que não faltam são vozes a dizer que Amy errou, não se tratou medicamente, não aproveitou as internações: “tentaram me mandar para reabilitação/eu disse não, não, não/ele tentou me mandar para reabilitação/mas eu não vou, vou, vou”, diz uma de suas famosas canções, chamada “Rehab”. Os que agora a criticam, e certamente entre eles há os que depositam garrafas de vodca diante de sua casa vazia, precisam saber que Amy era, em essência, enferma. Em “Beat The Point To Death”, ela cantou: “além disso estou doente/de ter de encontrar alguma paz”. Amy hoje tem paz, o “torno” borderline afrouxou-se, a montanha-russa borderline cessou de despencar, mas é a inútil paz dos mortos, não a fecunda paz dos vivos. De fato, não houve nenhum glamour em sua vida e muito menos em sua morte.

http://www.istoe.com.br/reportagens/149017_O+LADO+B+DE+AMY+WINEHOUSE

onsdag 3 augusti 2011

A vida depois do aborto

Nas próximas semanas, o STF deve decidir sobre a interrupção da gravidez de fetos sem cérebro. ISTOÉ mostra como vivem as mulheres que abortaram legalmente em 2004, quando o procedimento foi permitido por alguns meses.
TRAUMA
Camila, 27 anos, interrompeu a gestação de um
feto anencéfalo e decidiu não ter mais filhos 


A paulistana Camila Mo­reira Olímpio, 27 anos, deu pulos de alegria quando engravidou. Antes de completar três meses de gestação, sua casa já estava abarrotada de roupinhas de bebê. O enxoval era todo rosa porque ela nunca teve dúvidas de que a criança que carregava no ventre era uma menina. Até o nome estava escolhido: Stacy. Com o berço e o guarda-roupas instalados no quarto, Camila e o marido foram construindo sonhos. “Daí veio a desilusão. Fui fazer o ultrassom e o médico disse que o meu bebê não tinha calota craniana nem massa encefálica”, lamenta Camila. “Desci da maca e saí correndo do posto de saúde. Parei na beira da avenida. Ali, vi o meu castelo desabar.” Ela descobriu que a criança que tanto amava era mesmo uma menina. Mas constatou, também, que Stacy não sobreviveria porque sofria de uma grave má-formação fetal chamada anencefalia. Uma anomalia congênita irreversível e incompatível com a vida.

“E agora, o que eu faço?”, perguntou aos médicos. Eles explicaram que levar a gravidez adiante lhe traria mais riscos do que numa gestação comum. Camila ficou dez dias enfurnada em casa. Não abria a janela, não tomava banho, não penteava o cabelo, não comia, não levantava da cama. “Entrei em depressão. Estar grávida e saber que não teria minha filha comigo estava me matando”, lembra. “Se eu não antecipasse o parto, perderia a chance de ter outro filho porque eu morreria junto.” Camila decidiu se valer de uma liminar concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, que permitia que grávidas de anencéfalos fizessem aborto.


“Obrigar uma mulher a passar meses, entre o diagnóstico e o parto, dormindo e acordando sabendo que não terá aquele filho, é impor a ela um imenso sofrimento inútil. Isso viola o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana”, afirma o advogado Luís Roberto Barroso, da CNTS. “É uma situação equiparável à tortura. Interromper ou não a gestação deve ser uma opção da mulher e de seu médico. O Estado, o Judiciário ou quem quer que seja não têm o direito de interferir nessa decisão.” Barroso fundamenta a ação em mais dois pilares. Primeiro, alega que a interrupção da gestação de um anencéfalo, tecnicamente, não pode ser considerada aborto porque o feto não é uma vida em potencial. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o que define a morte é a falta de atividade cerebral e, como o anencéfalo não tem cérebro, ele seria um natimorto. Um dos argumentos dos grupos contrários é que, caso a gestação chegue aos nove meses, os órgãos do bebê podem ser doados. Mas nem a OMS nem o Conselho Federal de Medicina recomendam a doação porque esses órgãos não são de boa qualidade.

A outra tese de Barroso é que a lei brasileira permite o aborto em duas ocasiões: se a gravidez é resultado de estupro ou se há riscos para a mãe. “Interromper a gestação de um feto anencefálico é menos do que nas duas situações já previstas pelo Código Penal, pois tanto no caso de estupro quanto no de riscos para a mãe, o feto tem potencialidade de vida”, relata o advogado. “O nosso Código Penal não contempla a hipótese do feto inviável porque foi elaborado em 1940, quando o diagnóstico da anencefalia não era possível.” Paulo Fernando da Costa, vice-presidente da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, entidade católica das mais fervorosas no combate à ação da CNTS, contesta. “Não podemos condenar uma pessoa à morte. Se essa proposta for aprovada, será aberta uma janela para a legalização completa do aborto”, afirma. “Existem projetos sobre o tema tramitando no Congresso Nacional desde 1991. 
O que esses grupos feministas não conseguem no Legislativo, tentam via Judiciário”.


IGREJA
Dom Petrini, bispo da CNBB, é contrário ao aborto

Costa conta que a Associação fez um filme sobre Marcela de Jesus – uma menina do interior paulista, que morreu em agosto de 2008, com 1 ano e 8 meses – e está entregando aos ministros do STF cópias do DVD. A história de Marcela se tornou uma das principais bandeiras de grupos religiosos na cruzada antiaborto. “É uma bandeira desumana. A Igreja Católica explora esse caso para mistificar uma tragédia. Marcela não era anencéfala. Tinha merocrania”, garante o geneticista Thomaz Gollop, professor da Universidade de São Paulo e coordenador do Grupo de Estudos sobre o Aborto. O médico explica que o que distingue esse quadro da anencefalia é a presença de um cérebro muito rudimentar – um pouco mais de massa encefálica, coberta por uma membrana. Isso faz com que o indivíduo sobreviva um pouco mais. Mas não faz com que tenha cérebro nem que interaja. “Quando a anencefalia é diagnosticada, não estamos discutindo a vida, mas a morte certa”, diz Gollop. “Tenho esperança de que, assim como em decisões recentes, o Supremo respeite a laicidade do Estado”.

Além de refutar a legitimidade do Supremo, justificando que a Corte tem se debruçado sobre questões que seriam de competência do Legislativo, a Associação questiona a postura do ministro Marco Aurélio. “Entramos com uma representação na Procuradoria-Geral da República alegando a suspeição do ministro. Anexamos reportagens em que ele manifestou opiniões favoráveis ao aborto”, declara Costa. Desde 1989, mulheres têm sido autorizadas pela Justiça a interromper a gestação de fetos anencéfalos. A diferença agora é que, se o Supremo acolher a proposta da CNTS, elas não precisarão mais recorrer aos tribunais e serão poupadas de meses de angústia aguardando uma sentença. Os hospitais públicos, assim como os planos de saúde, terão de lhes oferecer a assistência necessária.

istoe

söndag 31 juli 2011

E por falar em Amy Winehouse...

O crack levou tudo que eu tinha e era


Tragédia pessoal: "O crack levou status e todo o dinheiro"

Publicação: 30/07/2011 08:00 Atualização:

Rodrigo* largou o trabalho e vendeu a casa para se drogar na rua

Depois de varar a madrugada, doses de conhaque faziam Rodrigo* se reanimar para mais uma jornada de trabalho. Responsável pela cozinha de uma pizzaria bem conceituada em Brasília, o maranhense de 35 anos aos poucos conseguia driblar a sina de pobreza a que parecia condenado. “Conquistei respeito, status e dinheiro.

"Já tinha comprado minha casa em Taguatinga. Até que a droga me levou tudo”, diz. Da bebida à maconha e à cocaína, foi um passo. Pediu demissão, cheirou a moradia conquistada com trabalho árduo e foi morar na rua, onde conheceu o crack.

“É uma lua de mel perfeita nos primeiros seis meses de uso. Depois vêm a paranoia, a perturbação”, diz Rodrigo. Ele conta que, na rua, não tinha opção, a não ser o crack. Para comprar a pedra, pedia esmola ou catava latinhas. “No fim do dia, você tem R$ 80, R$ 100”, relata. Ontem, o homem de pele morena e cabelos cacheados se internou em uma instituição na quarta tentativa de abandonar o vício. É um desafio difícil.

Em média, de acordo com dados internacionais, cerca de 40% dos dependentes químicos se recuperam depois de um programa completo de reabilitação. “No caso do crack, o problema se agrava devido ao alto poder de desorganização da vida do usuário”, diz Carlos Salgado, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas. (RM)

Desabafo
I don't ever want to drink again
Eu não quero beber nunca mais

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I just need a friend
Eu só preciso de um amigo

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I'm not going to spend ten weeks
Eu não vou perder 10 semanas

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And have everyone think I'm on the mend
Para todo mundo pensar que estou em recuperação

Trechos da música
Rehab (Amy Winehouse)






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Apesar das evidências em contrário, inclusive científicas, o mito de que a droga que destrói o artista é também a fonte de seu talento persiste. Mesmo diante das cenas degradantes protagonizadas pela cantora Amy Winehouse, morta há uma semana por causas ainda não conhecidas, fãs cultuam os hábitos da britânica. Quando viva, não eram incomuns mensagens em redes sociais do tipo “Você é melhor chapada, Amy”. Depois de morta, comentários associando o uso de entorpecentes a um estilo de vida libertário praticado pela diva do soul continuam a pipocar. O glamour em torno das drogas como meio de potencializar aptidões ou atitudes, porém, não se restringe ao show bussiness. Na vida real, são muitas as histórias de quem se perdeu achando que melhorava a cada dose.


O raciocínio não passa de uma estratégia, segundo o psiquiatra Carlos Salgado, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas. “O dependente tem necessidade de justificar o uso. Então, ele relaciona a substância com o desempenho em algo”, afirma. Do ponto de vista médico, ele garante que a associação entre performance e drogas não passa de mito. “Isso se formou em virtude de uma caricatura, difundida até por intelectuais que, apesar do uso de substâncias, se saem bem. Eles poderiam ser muito mais talentosos sem a droga”, diz Salgado. Mesmo quando o assunto é a maconha, aclamada como um entorpecente leve, estudos científicos mostram os prejuízos causados.

Uma das mais importantes pesquisas, realizada na Nova Zelândia, aponta para a ocorrência de surtos psicóticos em 10% dos adolescentes que usam maconha. “A droga antecipa esse quadro psiquiátrico que poderia ficar adormecido. Disso, a ciência tem certeza, assim como já sabemos que as drogas prejudicam a memória, a concentração e a persistência, funções absolutamente importantes em um processo criativo”, diz Ronaldo Laranjeira, PhD em psiquiatria pela Universidade de Londres e professor da Universidade Federal de São Paulo.

fredag 29 juli 2011

SACO CHEIO!

Sabe aqueles dias que você acorda e tudo te irrita? Pois então, tenho acordado assim há muitos e vários dias.
Näo sei porquê, mas tudo e todos me irritam. Não tenho paciëncia para comentários inoportunos do tipo: "você fica o dia inteiro no computador". Oi?



Queria poder acordar e me livrar de todo esse sentimento. Deveria estar mais feliz, pois estou planejando minha viagem de volta à Suécia, mas por um motivo até agora desconhecido, não consegui reservar os tickets.
vamos se hoje ou amanha, tenho uma resposta positiva sobbre o assunto.
Aliás, por falar em Suécia, meu pai como sempre, veio na segunda feira me jogar um balde de água fria. Dizendo que não acha certo eu ir, porque Sofia vai sofrer, minha avó vai entrar e depressão e bla bla bla. Tipo, ele mesmo diz que a decisão é minha, que a vida é minha e que EU devo fazer o que eu acho melhor pra mim e pra Sofia. Então POR QUE RAIOS ELE FICA TENTANDO ME CONVENCER DO CONTRÁRIO?????

Sabe, eu até entendo que ele não concorde, que tenha uma opinião diferente da minha a respeito do assunto e de como as coisas devem ser, mas PORRA, então não venha com esse falso moralismo e hipocrisia me dizer que a merda da decisão é minha se vocë vai ficar tentando me fazer mudar de idéia!



TÖ DE SACO CHEIO!!!

torsdag 14 juli 2011

Vogue

Hoje aconteceu algo engracado. Eu participo de algumas comunidades no orkut, e uma delas chama-se "mamães janeiro/2010" e participam as mães que tiveram filhos nesse mês e ano.
Daí que inventaram nessa comunidade de escolher um bebê por quinzena para colocar na capa da comunidade. Ok, tudo bem. A ordem de escolha seria pela ordem em que foram postadas as fotos.
Algumas mães, acharam que estavam sendo desfavorecidas, porque surgiu uma listagem e seus nomes nães estavam lá.
Daí alguém comenteou que o nome não estava lá e fez um comentário sobre isso, eu logo abaixo desse comentário, fiz o meu, também dizendo que não via meu nome lá, sendo que tinha postado a mensagem e a foto em maio.

Houve algumas discussões e eu simplesmente resolvi me retirar da comunidade e parar de postar, porque eu não tenho tempo e nem disposicão pra ficar discutindo virtualmente por uma capa de comunidade em orkut com meninas que eu nem conheco e nem pretendo conhecer.
Daí veio uma fulaninha e me agrediu verbalmente. Coitada! Mal sabe ela que eu não levo esse tipo de coisa pro lado pessoal, e fui muito mais madura e educada (contrariando os comentários), e me retirei de lá sem precisar agredir ninguém.

Mas é o que eu sempre digo, quando não se tem argumentos, parte-se à agressão. Sou bem familiarizada com isso, pois toda discussão com meu pai, sempre termina com ele me agredindo. VERBALMENTE, que dique BEM claro.
Então, uma das minhas resolucões para a MINHA vida melhor, é não discutir mais. Quer falar? Fale a vontade. Agrida, coloque seus sentimentos pra fora. Mas não espere que eu vá fazer algo a respeito, ou revidar de alguma maneira, porque eu simplesmente não vou.
Escolhi ser uma pessoa sã. E ficar discutindo por, muitas vezes, bobagens, não leva a lugar algum. Ou melhor, leva a loucura.

onsdag 13 juli 2011

Nem letras nem sílabas... Rubem Alves

"Os miúdos estão a aprender a ler. Aqui não começamos pelas letras ou pelas sílabas. Aprendemos totalidades..."


RECORDANDO: EU estava visitando um colégio em Portugal chamado Escola da Ponte, uma série de espantos. Para começar, o diretor entregara a uma menina de nove anos a missão de me mostrar e explicar a escola. A menina não se fez de rogada: conduziu-me à porta da escola, onde me informou que, para entender aquela escola, eu deveria me esquecer de tudo o que eu sabia sobre escolas. Para se aprender o novo, é preciso esquecer o velho.

Disse a seguir que naquela escola não havia aulas, professores "dando a matéria" nem separação dos alunos por adiantamentos. E nem engradamento do pensamento em horários. Sem nada entender, perguntei: "E como é que vocês aprendem?". A menina me disse que tudo começava com a curiosidade, o desejo de aprender alguma coisa. Com o que concordei por experiência própria. 

A aprendizagem é como comer uma fruta tentadora, talvez um caqui... Há de haver desejo...Aí formavam um grupinho de seis pessoas em torno desse objeto de desejo comum e convidavam um professor para ser companheiro de pesquisa. Esse professor nem precisava ter saberes sobre o tal objeto. O que se esperava dele é que soubesse descobrir o caminho... Tudo começava com uma pesquisa das fontes bibliográficas na internet. A partir daí, faziam um programa de trabalho de duas semanas e cada um fazia suas leituras, consultas e anotações a serem compartilhadas na avaliação, ao final das duas semanas.
Dadas essas explicações preliminares, a menina abriu a porta da escola e entrei.

Era uma sala grande, sem divisões, cheia das mesinhas baixas. As crianças trabalhavam nos seus projetos, cada uma de um jeito. Moviam-se livres pela sala, na maior ordem, tranquilamente. Ninguém corria. Ninguém falava em voz alta. Notei, entre as crianças, algumas com síndrome de Down que também trabalhavam. As professoras trocavam ideias com as crianças.
As crianças se moviam para consultar livros e computadores quando necessário. Não se ouvia a voz de professor gritando por silêncio. Nenhum pedido de atenção. Não era necessário. E ouvia-se música clássica, baixinho... Se não me engano, era música barroca.

À esquerda da porta de entrada havia frases escritas com letras grandes, afixadas na parede, relativas aos 500 anos da descoberta do Brasil. Perguntei: "E aquelas frases?".

A menina explicou: "Os miúdos estão a aprender a ler. Aqui não começamos pelas letras ou pelas sílabas. Aprendemos totalidades...".
Pensei que é assim que as crianças aprendem a falar. Elas não aprendem os sons para depois juntá-los em palavras. Aprendem palavras inteiras, pois somente palavras inteiras fazem sentido.

Pensei que é assim que se aprende a gostar de música. Nenhuma mãe ficaria solfejando notas soltas para adormecer o nenê. É preciso que os sons façam sentido. É preciso que haja melodia...

Aí ela continuou: "Mas é importante saber a ordem alfabética para se consultar o dicionário". Como eu não conhecia preocupação didática semelhante articulada com tal clareza, preparei-me para aprender...

FOLHA DE SP (12/07/2011)







Deixo também esse texto da Eliana Brum


http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI247981-15230,00.html



måndag 4 juli 2011

Ser mãe solteira não é mais um tabu

Maternidade solo
Ser mãe solteira não é mais um tabu em nossa sociedade. Isso não significa que a tarefa de assumir integralmente a criação do filho tenha ficado mais fácil

Publicação: 01/07/2011 20:06 Atualização: 01/07/2011 20:59
Gláucia Chaves // Especial para o Correio





Laila às vésperas do parto de Juan: muitos planos para o futuro
No meio da madrugada, o bebê chora no quarto. Você se levanta, cambaleante e sonolenta, para ver o que está acontecendo. Pega seu filho no colo, espera que os soluços dele passem e volta a dormir. A cena se repete a cada chorinho: o outro lado da cama está vazio, por isso, não há com quem revezar a vigília noturna. Ser mãe solteira já foi considerado coisa de mulher promíscua, irresponsável e que não dá valor à “moral e aos bons costumes” da sociedade. Hoje, porém, a ideia de criar uma criança sem a presença do pai já não é tabu. De acordo com a Síntese de Indicadores Sociais 2010, estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mulheres sem cônjuge e com filhos representam 17,4% da população brasileira.

Sem condições financeiras de fazer a produção ser realmente independente, muitas mães solteiras precisam buscar refúgio na casa dos pais — parcela que vem aumentando nos últimos anos, aponta o IBGE. É o caso da estudante Laila Cristina Reis Toledo, 24 anos, mãe do pequeno Juan, nascido na semana passada. Ela e o pai da criança foram pegos de surpresa pela gravidez. “Em um primeiro momento, nós decidimos morar juntos. Isso ajudaria a nos organizar para, futuramente, oficializar a união”, conta a estudante.

Conflitos e desentendimentos fizeram com que o namoro acabasse. A decisão de voltar à casa dos pais parecia o melhor a ser feito. Se, por um lado, o pequeno Juan perdeu a chance de ter um quarto só para ele, por outro ganhou uma rede de proteção do lado materno da família.

A jovem precisou rever alguns planos, a começar pela faculdade, uma vez que os exames finais coincidiriam com o trabalho de parto. Otimista, ela vê na gravidez uma força motriz para a realização de seus sonhos, como montar o seu próprio lar. Contudo, não há como ignorar a mágoa de saber que o interesse pela chegada do rebento não é compartilhado com o futuro pai. “Quando a gente estava junto, ele recebia bem as informações que eu passava, mas não procurou nada por conta própria”, diz.


Amadurecimento em dobro
Juliana deixou a adolescência para trás para cuidar de Natan, hoje com 8 anos
Juliana Moreira Jardim tinha só 16 anos quando engravidou. “Foi um choque porque adolescente tem uma azeitona no lugar do cérebro. Você tem a sensação de que nunca vai acontecer com você”, relembra a estudante, hoje com 24 anos. Além de ter que se acostumar às mudanças na antes descompromissada rotina adolescente, Juliana ainda precisou ter uma dose extra de maturidade para enfrentar as complicações de uma gravidez de risco.

“Tive que terminar o primeiro ano do ensino médio em regime domiciliar, porque eu tinha queda de pressão e desmaiava sempre”, relembra. Os trabalhos finais foram foram feitos em casa e entregues na escola, para que a mãe pudesse dar atenção ao filho, que nasceu prematuro.

Quando Natan veio ao mundo, Juliana e o companheiro tinham um ano de relação. O casal permaneceu unido nos três anos seguintes, mas a ruptura foi brusca. As tentativas de compartilhar a guarda não foram bem-sucedidas e a distância aumentou. Aos poucos, os questionamentos do menino com relação à ausência paterna deram lugar ao conformismo. “Se passo um fim de semana sem vê-lo, já sinto um aperto no peito, porque perdi coisas que ele fez. Fico imaginando como deve se sentir uma pessoa que gerou uma vida e a largou de mão”, confessa Juliana.

Com a ajuda da mãe e das amigas, ela garante que não tem problemas maiores em administrar a rotina. Porém, como não dá ficar com o filho o tempo inteiro, o jeito é ter jogo de cintura para equilibrar as diferentes influências que o pequeno recebe. “Durante a semana, ele fica mais tempo com a minha mãe do que comigo, e ela tem o jeito dela de educar”, pondera. “Acaba que todo mundo mete o dedo na educação dele.”


Liberdade cerceada
Gabriela Azevedo não se sentia preparada para uma "vida adulta", mas faz o melhor possível para educar Ana Clara.

Da amizade em sala de aula, no ensino médio, surgiu o namoro. Um ano e meio depois, a gravidez. Até Ana Clara completar um ano, os dois continuaram a relação. Porém, os desentendimentos, cada vez maiores, ficaram insustentáveis. “A relação muda muito. Quando são duas pessoas mais velhas já é difícil, imagina duas crianças tendo que administrar problemas de adultos?”, reflete Gabriela Azevedo de Arruda, 20 anos. Até então, a maior preocupação da estudante era escolher a roupa para a próxima balada. Agora, a realidade é bem diferente: todos os pensamentos e planos são para a filha.

Como todo adolescente prestes a sentir o gostinho de liberdade, Gabriela conta que a gravidez não fazia parte dos seus planos. A matrícula na faculdade e a as saídas de fim de semana tiveram que ser substituídas por fraldas, consultas médicas e canções de ninar. Enquanto o convívio social sofreu uma enorme retração, as responsabilidades cresceram em proporão inversa — afinal de contas, agora tudo tinha de ser pensado em dobro. “Você tem que acompanhar os exames, tomar os remédios na hora certa. Não dá para ter o comportamento infantil de esquecer alguma coisa”, ressalta.



Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br

torsdag 30 juni 2011

Aprenda idiomas pela internet, sem gastar um tostão!

Atualmente, para poder desfrutar do máximo que a rede mundial de computadores tem a nos oferecer, dominar ou ter conhecimentos básicos da língua inglesa é fundamental. Apesar dos facilitadores como dicionários e tradutores online, dominar fundamentos de inglês pode facilitar muito a vida de pessoas que desbravam a web.

Basta observar as webshops apresentadas aqui no blog para constatar que a língua portuguesa raramente é uma opção viável para os que pretendem realizar compras internacionais. Existem exceções como a StrawberryNET.com, que oferecem um site e suporte em português, contudo, a grande maioria disponibiliza páginas apenas em inglês.

Além disso, muitas vezes desejamos obter alguma informação adicional sobre um determinado produto, esclarecer dúvidas ou até mesmo buscar um solução para um problema por meio de suporte "online" e se faz necessária a aplicação da língua inglesa.

Navegando pela web encontrei uma matéria muito interessante no site do programa "Olhar Digital", que apresenta alguns sites que oferecem cursos de idiomas gratuitos na web. Ou seja, uma oportunidade valiosa (e gratuita!) para os que não têm tempo ou dinheiro para frequentar cursos regulares de idiomas, mas que gostariam de aprender uma nova língua.

Posto abaixo o vídeo da matéria e os links dos sites citados.StrawberryNET.com


Sites:


Carta de Abraham Lincoln ao professore de seu filho

"Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, para cada vilão há um herói, que para cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.
Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.
Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.
Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.
Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.
Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.
Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.
Eu sei que estou pedindo muito, mas veja o que pode fazer, caro professor."



Abraham Lincoln, 1830

tisdag 28 juni 2011

Inverno

Quando o céu está assim limpinho, azulzinho, é porque o frio é intenso e certo. Essa linha branca é de um avião passando.

A maior parte das pessoas no Brasil, principalmente nas regiões sul e sudeste do país, estão a reclamar da intensidade do frio!

Mas pensem comigo: inverno é a época do ano feita para o frio, certo? Então por que raios tá todo mundo reclamando se todo mundo sabe que no inverno a tendência é fazer frio????

Eu sempre gostei mais do iinverno do que do verão, mesmo porque, gosto de temperaturas mais amenas, nao que no inverno seja assim, mas prefiro o frio ao calor.

Depois de quase 3 anos e 3 invernos na Suécia, vejo que o frio de São Paulo não é tão ruim assim.
Ajuda visual:

Ärlov - dezembro/2010
Apesar do frio intenso e de muita neve, só usar roupas adequadas, como botas revestidas internamente e impermeáveis, casacos quentes e também impermeáveis, luvas, touca e cachecol que tudo fica suportável.

mas nããããão, as pessoas tem que reclamar!
claro que no verao tudo é mais lindo e bonito, as pessoas sao mais alegres, as atividades sao mais contagiantes, há muito mais coisa a se fazer e muito mais possibilidades, mas o inverno tem também o seu charme.
Eu acredito que no inverno as pessoas ficam mais próximas, entram muito mais uma nas vidas das outras, cria.se uma cumplicidade maior.
Posso estar enganada, mas esse é o meu sentimento!

Parto Normal - eu incentivo

Ontem vendo TV, eis que passa o vídeo da lindinha da Fernanda Lima numa campanha de incentivo ao parto normal. Me amarrei. Achei lindo e necessário. Dar a luz à gêmeos por meios naturais é uma vitória e isso a faz ser ainda mais admirada.
Me identifiquei de cara com o depoimento dela.
Enquanto boa parte das mulheres sentem medo do método natural, eu morria de medo de ter que fazer cesária. Já perdi a conta do quanto ouvi mães dizerem que vão optar pela intervenção cirúrgica, mesmo preenchendo todos os quesitos para que haja normal, simplesmente por puro medo da dor. Isso precisa mudar. Covardia não!
O momento é traumático? Sim, claro, não vou negar. Mas não é nenhum bicho de sete cabeças. Há truques para contornar isso e tirar de letra.
Quando se é mãe de primeira viagem, é natural ficar assustada e com medo. Felizmente foram apenas 3 horas e meia de trabalho de parto.:D
Eu já sabia o que estava por vir. Soube que a respiração é um importante aliado no controle da dor. Ao sentir a contração vindo eu fazia a respiração cachorrinho – aquela dos soprinhos sucessivos e acelerados. Mal podia acreditar o quanto isso aliviava o incômodo da contração, que na verdade é a pior parte do parto, e não a passagem do bebê como muitas temem.
Algumas mães reivindicam o uso da anestesia pra driblar as contrações. É uma opção, mas não acho legal. Quando sentimos a contração vindo temos a certeza de que é o momento de fazer força. Estar anestesiada atrapalha um pouco esse processo, mesmo que o obstetra tome as rédeas da situação e lhe oriente. Não aconselho. Parto normal é parto natural. Não é momento pra frescuras.
Pausa para uma explanação. Quando sentimos contrações, é normal você se irritar até com o carinhoso “vai dar tudo certo” do marido. A vontade de mandar todo mundo tomar um refresco é normal. A coisa tende a piorar quando as contrações estão no ápice, você ainda não pode fazer força e tem uma enfermeira do teu lado perguntando seus dados para o preenchimento de uma ficha. Aí só sendo santa!

O corpo humano é tão sábio, que permite as dores do parto até no momento do nascimento. Depois disso a mãe está inteira e revigorada pra cuidar do filhote. Na cesariana é o contrário. As dores vem depois do parto e a mãe tem bem menos disposição e condições pra curtir seu bebê nos primeiros dias.
Além disso, quem opta pelo parto normal corre menos risco de infecções e o corpo volta ao normal bem mais rápido, principalmente a barriga, pois como o útero não sofreu incisão, o retorno ao tamanho original é mais acelerado.
Se você planeja ser mãe e nada te impedir de dar à luz por vias normais, faça! Você saberá realmente o que é se sentir plena, poderosa e heroína. Eu incentivarei sempre!
http://www.youtube.com/watch?v=3YBHDbx5kEM&feature=player_detailpage


Post social

Lendo lagumas reportagens pela internet ao loongo dos anos, percebi que todos os dias aparecem noticias sobre abuso e violencia contra criancas, idosos, pessoas deficientes, homossexuais etc.
Resolvi criar esse post pra colaborar com a campanha que é feita no mundo todo contra TODO e QUALQUER tipo de violência.

Pra que usar de violnência contra uma crianca, que muitas vezes nao entende nem o porquê de tamanha brutalidade? Violência nao resolve e só gera mais violência.
Se você ou alguém de sua familia ou convivio sofre violência doméstica, DENUNCIE!


E por que nao falar de um outro tipo de violência, também contra criancas, mas estas ainda nem nascidas? ABORTO


Todos tem o direito à vida!

HOMOFOBIA SE APRENDE, SEXUALIDADE NÃO!




A presidente Dilma, acaba de vetar as discussões sobre homofobia no espaço escolar. Ela pode vetar o material, o programa, mas não pode vetar as vozes dos educadores, que viram na proposta do Ministério da Educação, uma forma de se discutir a homoafetividade no espaço escolar. O veto da presidenta sinaliza o preconceito e a descriminalização de uma nação, que se julga tão democrática, porém tem nas suas entrelinhas a discriminação.




Não só importante ressaltar, que nós como pais e educadores que somos, devemos dar a nossos filhos e filhas valores morais e éticos. Näo é só porque sou católica e naoa cho certo uma pessoa ser homossexual, que vou ensinar minha filha a discriminar e marginalizar as pessoas que optaram por uma vida sexual diferente da que eu levo e considero correto. O que é certo pra mim nao precisa necessariamente ser o certo pra você.
Respeito é fundamental.


Para denúncias:
Contra Homofobia:
Faça sua denúncia pelo site da SaferNet!

A SaferNet é uma organização não-governamental (ONG) que recebe denúncias de crimes virtuais, incluindo a homofobia, e as encaminha ao ministério público e outros orgãos competentes.

http://www.safernet.org.br/site/denuncia



Contra violência infantil:
Disque 100












måndag 27 juni 2011

Suécia



Pois entao, eu vim pra Suécia a primeira vez dia 29 de dezembro de 2007. Cheguei dia 30 de dezembro de 2007.
Apesar do frio insuportável e dos meus dedos dos pés congelarem muitas vezes a ponto de eu achar que iam granguenar e quando eu batesse em algo ou tirasse os sapatos eles iam cair dedinhos por dedinhos, eu me apaixonei por esse país.

O povo sueco, no seu geral, é um povo bem reservado. Alguns dizem que é por causa do clima frio e da pouca possibilidade de existir programas a serem feitos do lado de fora de casa, pois o inverno é muito rigoroso e longo, e o verao bem curto. Eu cheguei no inverno.
Foi tudo lindo e mágico. Nevou, achei legal. Passei frio, conheci lugares, pessoas, comidas etc.
Tá. Acabou a novidade, vamos ao que interessa.

Comecei a trabalhar, de au pair, e que merda! levantar as 7 da manha, tudo escuro um frio do cacete, e crianca mimada e birrenta de manha pra mandar pra escola. Ninguém merece. Fiquei 1 mês nessa familia.
No fim trabalhei pra uma familia dinamarquesa com 2 meninas que nao iam a escola ainda, era suuuuuuper cansativo, e hoje entendo o motivo. Na época achava que era porque elas nao tinham mais onde gastar as energias, mas depois que Sofia nasceu, eu vi que nao é bem assim que a banda toca.
A mae da smeninas era alcoolatra. No fim saí de lá. Fiquei 3 meses sem fazer nada, e em setembro de 2009 fui pra uma outra familia. Fiquei lá até fevereiro de 2010, quando a mae das criancas surtou sabe-se lá Deus por qual motivo, e pediu que eu fosse embora. Me deu 2 semanas pra sair de lá. E quem se importa se eu tinha pra onde ir? Nao eles!

de fevereiro a junho 2010 fiquei sem fazer nada, e daí sim conheci como era a vida de solteiros na Suécia. Saia todo final de semana, bebia, ficava bebada etc.

Daí foi que conheci Jerry, o pai da Sofia. E engravidei...

Mas o posto é pra falar sobre o que eu gosto na e da Suécia.
Eu gosto da forma como as pessoas falam o que pensam sem se preocupar se vai magoar os outros. Apesar de nós, brasileiros, nao sermos na sua maioria dessa maneira - incluindo eu - acho boa essa forma de encarar as coisas. Assim nao fica o dito pelo nao dito, e se eles nao gostam de algo - ou gostam -a gente fica logo sabendo. E também as razoes para gostarem ou nao gostarem.

Outra coisa que me chama a atencao, é a independencia feminina, no sentido de nao dependerem de marido pra pregar um prego na parede, ou consertar a máquina de lavar, ou construir alguma coisa.
Mas isso também, ao meu ver, causa uma certa nos suecos, e por que noa dizer nas suecas?, que acabam procurando relacionamentos com pessoas de outras nacionalidades, onde esse perfil "independente" nao seja tao forte.

Uma outra coisa que me chama atencao, e dessa vez pro lado negativo, é o fato de a Suécia ser um dos países líderes do ranking de suicidios. Sim. Aliás, a Escandinávia todo faz parte desse ranking.
Muitas pessoas nao toleram mais os invernos longos, rigorosos e escuros e por conta da depressao causada ou agravada por esse fato, acabam por tirar suas vidas. Muito corriqueiro ver nos noticiarios e imprensa escrita, durante todo o verao, sobre pessoas, algumas muito jovens, que se matam. Muito triste!

Mas apesar de muitas diferencas, alguns obstáculos, e muitas dificuldades, eu nao consigo deixar de AMAR a Suécia. E sinto muitas saudades desse país quando nao estou nele. O que está acontecendo nesse exato momento :)
Mas em breve eu volto!

Hachi - a Dog's tale

Ontem eu assisti esse filme, hachi - A dog's tale, em portgues "sempre ao seu lado". Chorei litros. Apesar de as pessoas nao pensarem isso de mim, ou nao enxergarem isso em mim, eu sou muito sensivel.
mas parece que criei essa armadura em volta de mim, da qual nao consigo me libertar, e preciso ser forte - ou parecer forte - o tempo todo, pra todo mundo.

Ontem, ou antes de ontem, conversando com uma amiga, comentei com ela sobre o fato do pai da Sofia nao se importar com ela nem um pouquinho que seja. E pra ajudar, vi uma foto dele cochilando no sofá de alguma pessoa com o uma bebe de alguma pessoa no colo.

nao consigo me lembrar de quantas vezes ele fez isso com Sofia. Talvez seja dificil de lembrar porque nunca aconteceu.
Me senti ofendida SIM! E me senti magoada. E nao porque gosto dele ou tenha qualquer sentimento envolvido, como muitas pessoas pensam, mas porque eu sou MÃE, e porque Sofia, apesar de nao saber e de nao sentir isso agora, vai sofrer com isso em um futuro nao tao distante.

Eu tenho estado bastante sensivel esses ultimos dias, e assistir ao filme do Hachi nao ajudou a melhorar o meu humor, mas parece que nós, seres humanos, quando estamos tristes procuramos motivos para nao mudarmos essa condicao. Pode ser até inconscientemente que isso aconteca, mas é assim. Pode reparar.

A minha lembranca de um dia bem feliz foi quando Sofia nasceu! Chorei também nesse dia, mas foram lágrimas de felicidade. O meu parto, apesar de nao ter sido como eu planejei, foi ótimo e rápido. Sofia nasceu a cara do pai dela, o que me chateou um pouco.
Algo dentro de mim nao quer que ela tenha nenhum tipo de relacionamento com o pai. Sei que é errado pensar assim, mas sao só pensamentos.
Nao faco nenhum esforco para mante-la longe do pai. Isso acontece naturalmente. Por opcao dele. Ou por localizacao geográfica.

Sao tantas coisas que nao consigo entender. tantas perguntas.
meus posts sao confusos, eu sei.
mas eu nao ligo. Eu só preciso de um lugar onde possa colocar minhas palavras. nao precisa fazer sentido.


Eu nao sou boa com esse negócio de blog!


Faz tempo que eu nao escrevo, aliás, tinha até me esquecido que eu tinha uma conta aqui, mas todo mundo, ou algumas pessoas que eu conheco, vivem me dizendo que eu deveria escrever um blog e bla bla bla, pq realmente minha vida tem sido uma novela. entao vamos lá!

Muita coisa aconteceu desde minha última, e primeira, postagem.

O mais interessante à saber, é que sou mae. Sofia nasceu em janeiro de 2010 e hoje tem 1 ano e 5 meses.
Neste exato momento estou sentada na minha cama tentando escrever e ela está tentando pular do berco para minha cama.
Esse fato, bastante constante, vai me iimpossibilitar muitas vezes de escrever, mas vou contando aos poucos o que me aconteceu e o que vem me acontecendo.
E se alguns fatos forem relevantes, eu conto o que aconteceu desde que eu decidi morar na Suécia.

A verdade é que criei esse blog mais como uma forma de desabafo. Eu nao sou boa com as letras, mas talvez escrevendo eu consiga me expressar melhor e até seja útil.
No momento só posso dizer que sinto dentro de mim um vazio imenso.
Mas isso é assunto pra outro post....


PS.. meus textos serao sem revisao, entao perdoem o portugues, a falta dele e a grmática e a falta dela!

PS2.. a foto é da minha filha Sofia. Foto tirada a 1 semana.