söndag 31 juli 2011

E por falar em Amy Winehouse...

O crack levou tudo que eu tinha e era


Tragédia pessoal: "O crack levou status e todo o dinheiro"

Publicação: 30/07/2011 08:00 Atualização:

Rodrigo* largou o trabalho e vendeu a casa para se drogar na rua

Depois de varar a madrugada, doses de conhaque faziam Rodrigo* se reanimar para mais uma jornada de trabalho. Responsável pela cozinha de uma pizzaria bem conceituada em Brasília, o maranhense de 35 anos aos poucos conseguia driblar a sina de pobreza a que parecia condenado. “Conquistei respeito, status e dinheiro.

"Já tinha comprado minha casa em Taguatinga. Até que a droga me levou tudo”, diz. Da bebida à maconha e à cocaína, foi um passo. Pediu demissão, cheirou a moradia conquistada com trabalho árduo e foi morar na rua, onde conheceu o crack.

“É uma lua de mel perfeita nos primeiros seis meses de uso. Depois vêm a paranoia, a perturbação”, diz Rodrigo. Ele conta que, na rua, não tinha opção, a não ser o crack. Para comprar a pedra, pedia esmola ou catava latinhas. “No fim do dia, você tem R$ 80, R$ 100”, relata. Ontem, o homem de pele morena e cabelos cacheados se internou em uma instituição na quarta tentativa de abandonar o vício. É um desafio difícil.

Em média, de acordo com dados internacionais, cerca de 40% dos dependentes químicos se recuperam depois de um programa completo de reabilitação. “No caso do crack, o problema se agrava devido ao alto poder de desorganização da vida do usuário”, diz Carlos Salgado, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas. (RM)

Desabafo
I don't ever want to drink again
Eu não quero beber nunca mais

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I just need a friend
Eu só preciso de um amigo

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I'm not going to spend ten weeks
Eu não vou perder 10 semanas

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And have everyone think I'm on the mend
Para todo mundo pensar que estou em recuperação

Trechos da música
Rehab (Amy Winehouse)






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Apesar das evidências em contrário, inclusive científicas, o mito de que a droga que destrói o artista é também a fonte de seu talento persiste. Mesmo diante das cenas degradantes protagonizadas pela cantora Amy Winehouse, morta há uma semana por causas ainda não conhecidas, fãs cultuam os hábitos da britânica. Quando viva, não eram incomuns mensagens em redes sociais do tipo “Você é melhor chapada, Amy”. Depois de morta, comentários associando o uso de entorpecentes a um estilo de vida libertário praticado pela diva do soul continuam a pipocar. O glamour em torno das drogas como meio de potencializar aptidões ou atitudes, porém, não se restringe ao show bussiness. Na vida real, são muitas as histórias de quem se perdeu achando que melhorava a cada dose.


O raciocínio não passa de uma estratégia, segundo o psiquiatra Carlos Salgado, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas. “O dependente tem necessidade de justificar o uso. Então, ele relaciona a substância com o desempenho em algo”, afirma. Do ponto de vista médico, ele garante que a associação entre performance e drogas não passa de mito. “Isso se formou em virtude de uma caricatura, difundida até por intelectuais que, apesar do uso de substâncias, se saem bem. Eles poderiam ser muito mais talentosos sem a droga”, diz Salgado. Mesmo quando o assunto é a maconha, aclamada como um entorpecente leve, estudos científicos mostram os prejuízos causados.

Uma das mais importantes pesquisas, realizada na Nova Zelândia, aponta para a ocorrência de surtos psicóticos em 10% dos adolescentes que usam maconha. “A droga antecipa esse quadro psiquiátrico que poderia ficar adormecido. Disso, a ciência tem certeza, assim como já sabemos que as drogas prejudicam a memória, a concentração e a persistência, funções absolutamente importantes em um processo criativo”, diz Ronaldo Laranjeira, PhD em psiquiatria pela Universidade de Londres e professor da Universidade Federal de São Paulo.

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